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15.1.10

[Setúbal na Rede] - Arriba fóssil da Costa da Caparica candidata às sete maravilhas

[Setúbal na Rede] - Arriba fóssil da Costa da Caparica candidata às sete maravilhas


Descubra o que falta nesta foto... 
Harry Houdini regressa do além, para fazer mais um dos seus grandes truques... o homem que fez desaparecer objectos, pessoas, elefantes!, volta a conseguir, e faz desaparecer 186 hectares de terrenos agricolas... tudo isto, na Costa da Caparica! 



Arriba fóssil da Costa da Caparica candidata às sete maravilhas


A arriba fóssil da Costa da Caparica, no concelho de Almada, é candidata às sete maravilhas naturais de Portugal. António Matos, vereador na câmara municipal almadense com o pelouro da cultura, turismo, desporto e informação, realça que o município tem um património natural “de que pouca vezes se fala”, apesar “de possuir características paisagísticas que poderiam figurar nos melhores roteiros turísticos nacionais”.

De acordo com Ricardo Guerreiro, técnico da paisagem protegida no Instituto de Conservação da Natureza e Biodiversidade (ICNB), a arriba fóssil da Costa da Caparica “tem características geológicas, paisagísticas e patrimoniais” que justificam a candidatura. “A arriba resulta de um acidente geológico, servindo de testemunho da geologia de épocas passadas”, explica. O técnico do ICNB salienta que, a nível paisagístico, a arriba “possui uma imagem de corte imponente”, servindo de “moldura para a linha de praia”. “A arriba possui vegetação dunar herbácia”, refere, afirmando que o “estatuto de paisagem protegida serve de chapéu às outras características geológicas e paisagísticas do espaço”.

“A candidatura é justa, uma vez que engloba, num espaço relativamente pequeno, importantes características ambientais”, sublinha. A mesma opinião partilha António Matos, que salienta o “potencial extraordinário em termos paisagísticos”. “Almada tem uma ampla zona de praias fantásticas, que noutro local do mundo teria uma importância maior do que aquela que efectivamente se lhe dá”, afirma, referindo-se à praia da Rainha, “uma das maiores praias da Europa”. O autarca ressalva ainda “a paisagem privilegiada” a que se pode ter acesso no cimo da arriba, “que pode também ser aproveitada para desporto no ar, como o parapente”.

De acordo com António Matos, a arriba poderá ser “explorada em termos turísticos”, apesar “de ser um recurso que não pode ser aproveitado de uma forma avassaladora”. O autarca sublinha a “riqueza turística” do concelho, “que é alimentada por um mix de praias, sol e espaços verdes”. “Almada tem uma estrutura ligada à frente ribeirinha e à frente atlântica”, salienta, afirmando que a autarquia se tem “esforçado por não lançar uma única gota de esgotos sem ser tratada na estação de tratamento de águas residuais”, o que, segundo o vereador, tem permitido “a reposição de algumas espécies marinhas”.

Segundo o autarca, a câmara de Almada quer apostar no conceito de “cidade dos vales”, que prevê “uma ocupação urbanística sustentada, mas com respeito pela fauna e flora autóctones”. Assim, salienta as últimas concretizações da câmara a nível ambiental, nomeadamente as recentes inaugurações dos parques do Bom Retiro, na Sobreda, e da Aventura, na Charneca da Caparica. “Almada vai dar um grande salto em frente em termos do desenvolvimento turístico”, refere.

29.12.09

Vergonha! parte I/III

Vergonha! parte I

por Nuno Belchior


A conferência das Nações Unidas para as Alterações Climáticas (COP 15) ficará marcada para sempre pela maior demonstração de violência contra todos os seres vivos do planeta.
Poucos acreditavam que fosse possível uma revira-volta na forma e no modo como nos relacionamos com o mundo que nos rodeia, e sabemos de ante-mão que o sistema capitalista tem embutido em si a destruição, mas como seres humanos que somos, únicos responsáveis pela existência deste sistema, ficamos sempre perplexos quando este se manifesta no seu máximo explendor: criminoso.
Esta conferência foi convocada para a constituição de um documento vinculativo, em que os estados do mundo acordariam entre si cumprir metas de redução de emissões de gases de efeito de estufa. Estas metas foram aconselhadas por um orgão das Nações Unidas, o IPCC.
Contudo, desde à alguns meses que o rascunho deste documento parecia impossivel. Várias razões foram apresentadas de forma a confundir o raciocínio das pessoas, de modo a legitimar o processo.
Uma conferência que se apresentava com sendo das Nações Unidas tornou-se em algo de Dinamarquês, mais do que Mundial.
A Dinamarca é hoje um país com uma forte industria de produção eólica, desde o pequeno aerogerador de telhado até à turbina de alto mar. É, também, um dos maiores produtores e exportadores de carne e lacticínios da União Europeia.
A produção alimentar, especialmente a agro-industria, é um dos maiores responsáveis pelo aumento da temperatura global.
Apesar da agricultura familiar ser o modo de produção mais eficaz, foi sendo ao longo dos anos substituída pelas grandes industrias do agro-negócio, subsidiadas com fundos públicos, produzindo assim comida mais barata, mas com altos custos sociais e ambientais.
O agro-negócio vive de mãos dadas com a miséria e a fome, algo que diz que resolve, mas que efectivamete aprofunda e agrava.


A tecnologia cria em todos nós um fascínio desde a criação da roda até à sonda que enviamos aos confins do espaço, tudo nos parece um autêntico milagre material.
Esperamos, e muitos já afirmam ter, tecnologias capazes de evitar o aumento de temperatura. Incrivelmente todos estão virados para o finaciamento público, tem um target, um nicho, um mercado. Recorre-se ao medo, à visão do abismo, ao armagedon.
É preciso relançar a economia, ela própria a causadora da destruição ecológica.
O sistema que causa tamanha destruição e sofrimento, deve manter-se vivo.
Fecham escolas, centros de saúde, desertifica-se o mundo rural, agoniza-se o mundo urbano. Mais investimento em infra-estruturas, menos qualidade de vida, mais crime, mais miséria.
A tecnologia serve em grande parte apenas para concentrar na mãos de alguns a riqueza produzida por todos os outros. Quanto maior é o carácter de urgência, maior é o investimento público, maior o lucro das multinacionais.









Vergonha! parte II/III

Vergonha! parte II


por Nuno Belchior


Os Estados Unidos têm sido apresentados como os grandes culpados da situação em que o mundo se encontra. A terra da liberdade recusa qualquer tipo de compromisso, sem o compromisso do segundo maior predador mundial, a República da China.
O mais interessante é que grande parte dos complexos industriais e financeiros sediados na China são Norte-Americanos e Europeus, e os produtos aí produzidos dirigem-se para o mercado mundial sendo a grande fatia absorvida pelo mercado ocidental.
Numa forma resumida exporta-se tecnologia e know-how para a China produzem como convém a baixo custo, trabalhadores sem salários dignos e sem regalias sociais, destruição do meio ambiente, atentados aos direitos humanos. Os governos ocidentais usam a forma de produzir chinesa, de forma a satisfazer a política interna, passam a responsabilidade para as pessoas, tornadas consumidores, que se resignam com os seus baixos salários e precaridade laboral em comprar o mais barato possivel, que é chinês. Campo perfeito para a corrupção, estimulada e organizada, para poder fazer continuar andar a máquina.
Vender gato por lebre, conversa de trapaceiro, são apenas algumas expressões que podemos utilizar para descrever esta conferência.
O dinheiro público deve ser utilizado para o bem comum e não para uns quantos, como foi o caso da crise financeira este ano.
Mas, terá havido mesmo crise ou, terá sido apenas concentração de poder?

O que movia os Estados representados nesta cimeira era o investimento no combate às alterações climáticas. Este era inferior a practicamente um quarto do que utilizaram para salvar o sistema financeiro. Em apenas um ano, os Estados apoiaram o sistema financeiro com o mesmo montante que apoiaram o combate à fome em Africa nos últimos trinta anos.
Acções beneméritas no combate às alterações climáticas? Ou responsabilidade pela situação em que o planeta se encontra, criada por estes? Ajuda aos paises afectados pelas alterações climáticas ou compensações?
Qual é o valor de uma comunidade? O valor individual do ser vivo baixou tanto que temos que tomar toda a comunidade para este ganhar alguma importância, neste sistema que se movimenta em abstractos milhões.
Contudo, o desaparecimento vertiginoso de várias comunidades por todo o mundo é hoje irreversivel e tem culpados, Banco Mundial e FMI. Talvez o mais interessante é ver a proposta dos Estados Unidos para tornar o Banco Mundial o gestor do fundo para as alterações climáticas.