Estamos a mudar-nos para: http://www.projecto270.com/

10.12.09

projecto270 @ klimaforum09 + climate bottom meeting





Chegar a Copenhaga é ter algum frio, e é ver bicicletas, muitas bicicletas. A caminho da cimeira alternativa, Klimaforum09, damo-nos conta de que numa cidade sem colinas é bem mais fácil fazer a transição, pelo menos para os transportes, e andar não é assim tão complicado, em meia hora fazemos a cidade praticamente de uma ponta a outra. Mobilidade sustentável garantida.
Ao chegar ao Klimaforum, depois de visitar os balcões de informação e as tendas, onde encontramos uma possivel solução, económicamente viável e extremamente simples, para o nosso sistema de biogas, somos chamados a um workshop de dinâmica, para a criação de mais uma ferramenta para trabalhos de grupo. Um jogo que desperta a capacidade criativa dos intervinientes para a elaboração de soluções sustentáveis para as perguntas sorteadas. Divertido, pode efectivamente servir de apoio a grupos com dificuldade em gerir competencias, bem como ajudar a encontrar algumas soluções "fora do normal". Aguardamos pela versão em inglês!
De seguida, entramos na conversa sobre plantações de árvores em monocultura: falsas soluções para as alterações climáticas, com a nossa querida amiga Ana Filippini, que finalmente conhecemos pessoalmente. Falou-se sobre a falsa politica verde, e as soluções enganosas... queremos florestas com vida e biodiversidade, não monoculturas de pinheiros em milhares de hectares.
Nesta conversa "quente" estiveram também presentes Simone Lovera e Camila Moreno.
Mais sobre este tema em: RECOMA, World Rainforest Movement, Global Forest Coalition
Na sala em frente era esperada a grande senhora do activismo: Vandana Shiva, que, condicionada por atrasos de voos no Butão, não conseguiu estar presente na conversa sobre o percurso a realizar da globalização à localização, na vida e na economia. Os restantes participantes não deixaram tempo para saudades e passaram à apresentação dos seus interessantes projectos: Tim Jackson, com o estudo para o governo britanico "Prosperity without Growth"; Miguel Valencia, com uma apresentação sobre decrescimento, e finalmente Sophy Banks com uma apresentação sobre a famosa Transition Town de Totnes. Em breve publicaremos alguns textos sobre o decrescimento que nos serão cedidos por Miguel Valencia.
Depois de tantas horas de informção, decidimos rumar a Christiana, onde está também a ter lugar um outro encontro alternativo: Climate Bottom Meeting, onde alguns dos nossos facilitadores apresentarão os seus projectos e experiencias. Chegámos a tempo de ver a apresentação de Victor Leon Ades da Conpaz, e de reencontrar um amigo português, que não viamos à mais de 10 anos, actualmente a residir aqui. Citando uma cliente nossa: o mundo é um T0...
Hoje termina a nossa residencia dentro do programa New Life Copenhagen, onde tivémos oportunidade de viver com uma familia dinamarquesa, e rumaremos a outra parte da cidade onde nos encontraremos com os restantes companheiros em Reclaim the Fields.

Continuaremos com as noticias assim que possivel!
 Saudações sustentáveis!

Tania Simoes

Post Scriptum:
Já começou a contra-informação.
Foi ontem publicada uma noticia no Guardian que lançou o boato. A verdade é que não houve detidos, a policia apenas apreendeu material de trabalho.
Sentimos, contudo, um clima tenso no ar, e há demasiada policia na rua, vinda da Suécia inclusivé.
Todos os presentes nos encontros alternativos e, sobretudo, os delegados das comunidades indigenas do mundo inteiro, os que mais têm sofrido com a globalização, vêem o COP15 como machadada final na sua cultura, liberdade, e sobrevivencia.
See you on the streets...

de lisboa a copenhaga

Santa Apolónia é uma estação de comboios carregada de significado para o país.
A escultura que se encontra à sua saída marca um tempo em que os portugueses eram obrigados a emigrar para poder encontrar uma vida digna.
Marca igualmente a viragem politica do nosso pais, num longínquo Abril de 1974, com a chegada dos diversos perseguidos políticos do governo fascista, que vingou em Portugal durante 40 décadas. Um país culturalmente atrasado, mergulhado numa economia de favorecimento das grandes familias, como factor de estabilidade política responsável por uma estagnação social e por uma mentalidade bafienta e preconceituosa.
O primeiro comboio que apanhámos, para participar nas demonstrações em Copenhaga com outros agricultores familiares do mundo inteiro por uma economia que respeite as pessoas e o planeta Terra, o SUD EXPRESS, transportou milhares de imigrantes que contribuiram com as suas poupanças para o desenvolvimento do país, responsáveis por entradas de dinheiro superiores às da União Europeia.
Muitos viajam agora de avião, autocarro ou carro. Contudo, continua a ser um transporte usado pela emigração para se deslocar para os sitios onde vivem e trabalham.
Um comboio sujo com condições, de 1962, como vem marcado na carruagem do bar. Os ordenados mensais dos gestores da companhia equivalem ao que um destes emigrantes irá ganhar nos próximos 2 ou 3 anos, e as remessas de dinheiro serviram para o estado esbanjar nesta companhia que não apresenta resultados visiveis. As carruagens encontram-se com o surro agarrado, entranhado, como se fizesse parte destas. As janelas, contudo, podem ser consideradas autênticas peças de arte, a sujidade agarrada mostra a realidade do nosso pais.
Portugal tornou-se num pais sujo e cinzento.
Chegamos à estação de boleia, e a conversa no caminho foi acerca desta sujidade. Interessante o facto de ser proferida por alguém que acreditava que bastava trabalhar afincadamente, que tudo iria correr bem. Mais uma, nos milhares de pessoas desconhecidas que se vêem prejudicadas pela corrupção no nosso país.
O descredito dos decisores politicos, judiciais, e os negocios da União Europeia com a China que apenas favoreceram os grandes empresários e é agora a causa de milhares de postos de trabalho perdidos. Falta de adaptação ao modelo neo-liberal baseado na ganância e no lucro fácil, numa competição desleal entre pequenas empresas de cariz familiar e grandes grupos económicos.

Nuno Belchior